A percepção ecológica profunda reconhece a interdependência fundamental de todos os fenômenos, e também o fato de que, enquanto indivíduos e sociedades, estamos todos encaixados nos processos cíclicos da natureza e somos dependentes desses processos. Dessa forma, o mundo não é uma coleção de objetos isolados, e sim uma rede de fenômenos que estão interconectados e são interdependentes, formando a “teia da vida”.

Se considerarmos que a interconexão dos seguintes fenômenos: pensamentos, fundamentos, teorias, técnicas e ações dos indivíduos – interagem de uma forma sinérgica pela própria natureza da teia viva, anulando o próprio tempo e o espaço.

Sustentabilidade ecológica:  Um processo é sustentável quando se tem capacidade para manter-se no tempo, como os ciclos da natureza, que sustentam as condições para que a vida aconteça. Chaboussou(1987) considera que “todo processo vital está na dependência da satisfação das necessidades dos organismos vivos, sejam eles animais ou vegetais”, e Steiner conclui de forma objetiva: “Deve-se aviventar a terra diretamente, o que não é possível quando se procede à mineralização; isto só se torna viável colocando-se em prática o orgânico, dispondo-o adequadamente de modo que ele possa, por si próprio, atuar de forma organizadora e vivificante sobre o elemento terroso sólido. Tudo isso,ou seja, dar este impulso diretamente à massa de adubo ou à massa de chorume – a qualquer massa que seja utilizada desta maneira pode ser dado este impulso, desde que se permaneça no âmbito do vitalizado – eis a tarefa do impulso científico-espiritual que pode ser conferido à agricultura.”

Com uma atuação técnica e muito prática, o ambientalista Adoniel amparo afirma: “Vivemos num clima tropical, o trunfo que temos é a biomassa, uma riqueza que a agricultura convencional não tem sabido usar. Se optássemos pelo esterco, estaríamos copiando uma tecnologia correta apenas para o clima temperado. Nossa proposta trabalha com matéria orgância que não vem do esterco, trabalha com outras fontes de biomassa, que pode ser aplicada em grandes áreas. O esterco passa a ser apenas um elemento catalisador. as fontes de biomassa são as próprias plantas espontâneas.”

Chaboussou (1937) cita o método de Schuphan, que atende plenamente ao processo de manejo para a realização da agricultura ecológica tropical, que compreende:

a) a utilização privilegiada de estercos e compostos fermentados;

b) o não uso de adubos solúveis que apresentam toxidade em relação às bactérias úteis e ameaçam a vida e a fertilidade do solo;

c) a escolha de adubos insolúveis (pó de rochas);

d)aportes moderados de correções de cálcio-magnésio;

e) o cultivo de leguminosas, que enriquecem o solo em nitrogênio e cálcio.