Nasceu como escravo na fazenda de Moses e Susan Carver, perto de Diamond Grove, no estado norte-americano de Missouri. Ele e a mãe Mary, foram raptados por assaltantes e levados para o estado de Arkansas. Moses Carver conseguiu recuperar o bebê, mas sua m

O fato de as plantas serem capazes de revelar seus segredos, quando solicitadas, foi considerado natural e normal por um notável gênio nascido pouco antes da guerra civil nos EUA, o químico agrícola George Washington Carver (1864-1943) que superou sua ascendência escrava para ser saudado em seu próprio tempo como o "Leonardo Preto".  Nasceu como escravo na fazenda de Moses e Susan Carver, perto de Diamond Grove, no estado norte-americano de Missouri. Ele e a mãe Mary, foram raptados por assaltantes e levados para o estado de Arkansas. Moses Carver conseguiu recuperar o bebê, mas sua mãe nunca foi encontrada. Moses e Susan criaram o frágil George, dando-lhe o sobrenome. Ele era miúdo demais para o trabalho pesado da fazenda, então lavava e passava a roupa e cuidava dos jardins.

Carver saiu de Diamond Grove para cursar o ginásio e tinha quase 25 anos de idade quando completou o segundo grau. Ganhou uma bolsa para a Universidade Highland, em Kansas, mas depois foi recusado por ser negro. Em 1889, entrou para a Faculdade Simpson, em lowa, e em 1891, transferiu-se para a Faculdade Agrícola do estado de lowa. Ele se formou com louvor em 1894 e concluiu o mestrado em ciências agrícolas dois anos depois. Juntou-se então, ao corpo docente da faculdade, mas deixou o cargo para trabalhar com Booker T. Washington, no Instituto Tuskegee - Alabama.

No instituto, Carver tornou-se Diretor de Pesquisas Agrícolas. Ele descobriu que no lote de terra alocado para a sua fazenda experimental o algodão vinha sendo plantado por tantos anos que o solo estava completamente exaurido de nutrientes. Percebeu que os fazendeiros pobres do sul enfrentavam o mesmo problema e resolveu se empenhar em desenvolver métodos para restaurar o solo. Carver descobriu que o amendoim e a batata-doce cresciam no solo empobrecido, e como estes legumes tinham bactérias que fixavam o nitrogênio em torno de suas raízes, eles restauravam os nutrientes do solo. Carver sabia, porém, que nenhuma das duas hortaliças era rentável e remediou a situação desenvolvendo produtos que poderiam ser feitos com elas. Ele desenvolveu 300 produtos feitos com o amendoim, como queijo, farinha, tintas, corantes e plásticos. Com a batata-doce, ele criou mais de cem produtos, inclusive melado, borracha sintética e cola.

Carver incentivou os fazendeiros a plantarem amendoim, batata-doce ou soja em uma parte de suas terras a cada ano, em vez de somente algodão. A partir de 1910, os fazendeiros que ouviram o conselho evitaram perdas devastadoras quando uma infestação de gorgulho destruiu a lavoura de algodão. Como a praga estava ficando cada vez mais difícil de controlar, os outros fazendeiros resolveram tentar os métodos de Carver, e o amendoim tornou-se a segunda maior colheita do sul.

Na década de 1930, Carver já era reconhecido como um dos maiores cientistas botânicos do mundo. Ele publicava boletins anuais com conselhos agrícolas e também montou uma sala de aula portátil em um vagão para levar suas recomendações aos fazendeiros pobres. Com o passar dos anos, Carver recusou ofertas de trabalho muito bem remunerado de outras organizações e permaneceu em Tuskegee. Homem humilde e de fala mansa, ele teve um papel primordial na transformação dos Estados Unidos em um dos produtores de alimentos mais competentes do mundo.