Os seres humanos vivem na extremidade do deserto há quase 500 mil anos. Durante a última glaciação, o deserto do Saara foi mais úmido (como o Leste africano) do que é agora, e já possuiu densas florestas tropicais. Seu clima era tão diferente que recentes estudos revelaram que o Rio Nilo corria antigamente para o Oceano Atlântico em vez de desaguar no Mar Mediterrâneo.

Este é um assunto que devemos observar, pois vivemos em um país tropical (quente), então o cuidado com a nosso modo de trabalhar na agricultura é primordial para a não desertificação do nosso país.

Normalmente se acredita que o microclima seja alguma coisa estável, permanente, imutável, e que o ressecamento do globo terrestre seja dividido a um pioramento do clima. Aumentam os desertos, é verdade, mas pergunta-se: por que se descobrem cidades, aldeias e uma rede densa de estradas no deserto do Saara, através de aerografias com infravermelho?

Como  é que antigamente povos prósperos ali viviam? Por que um dos maiores centros de cultura antiga foi o Oriente Médio, que hoje nada possui além de desertos e petróleo?

Por que os desertos cobrem justamente os lugares onde uma vez floresceram grandes culturas e povos, como no Egito e México?

Não é estranho que justamente nestes lugares o clima mudou, enquanto que permaneceu estável em outras zonas? Os norte-americanos dizem: “all deserts are man made!” Todos os desertos foram feitos pelo homem. E provam isso eficientemente, já apresentando 20 de seus 51 Estados com “caráter desértico”, segundo palavras do então presidente Kennedy.

Ranzani(1971) prova que o cerrado brasileiro, geralmente, possui solos lateríticos e podzólicos. Isso significa que provieram de um clima alternadamente úmido e seco ou úmido, e, portanto, provavelmente eram cobertos por florestas, indispensáveis para a formação destes solos. A vegetação raquítica e xeromorfa não é natural. Parece que é o produto da atividade humana.

Pergunta-se: Como é possível que o solo possa alterar o clima?

O desaparecimento da floresta é o primeiro fator que conduz a profundas alterações. As chuvas tornam-se menos frequentes, mas muito mais violentas.

Onde não existem florestas, mas lavouras e pastagens, o aquecimento do ar é grande e sua ascensão violenta. Pode ser tão violenta que arranque a terra, as sementes, as plantações e os telhados das casas, como o fazem os “dust bowls” na América do Norte. As nuvens, que o vento traz, deslizam sobre a paisagem e seu ar  ascendente, como numa “almofada de ar”. Em cima de uma floresta, com sua floresta com sua temperatura mais baixa, a ascenção de ar diminui bruscamente. A nuvem “cai num buraco”. Todo aviador e também todo passageiro, que já viajou num avião pequeno num dia quente conhece estes vácuos. E, se a nuvem for pesada, não consegue segurar a água: chove. Em cima de terra que não tem árvores, as nuvens necessitam ser muito pesadas para poderem descer. E, quando o são, sempre dão origem a aguaceiros e “torós”.

Entra-se agora num destes círculos viciosos. A tromba de água compacta a superfície do solo. Muita água escorre e pouca se infiltra. Há erosão. Os rios se enchem. Há inundação. E depois de uma ou duas semanas de sol há seca. A água não se infiltrou, não chegou até o nível freático no subsolo, não pode alimentar fontes e vertentes. Os poços secam, os rios secam, as fontes secam e os solos estão secos porque a tromba de ´´água somente umedeceu a superfície. Com a seca instala-se uma vegetação pobre. E quanto mais pobre a vegetação tanto mais difícil a queda das chuvas, tanto mais prolongadas se tornam as épocas de seca e tanto mais pavorosas são as enchentes. Por quê? O clima se faz numa camada tênue que encobre nosso globo. Com qualquer avião maior pode-se passar a camada de nuvens e voar sob um sol eterno e céu límpido. Nuvens, chuvas e ventos ficam lá em baixo. O clima piora à medida que desaparecem as florestas e o solo se compacta. As leis de reflorestamento não são vãs. Foram feitas para evitar a “produção em massa” de desertos. Não estão aqui para salvaguardar o futuro das serrarias e fábricas de papel. Foram redigidas para garantir a nossa sobrevivência, porque desertos não dão sustento a ninguém, a não ser quando houver petróleo no subsolo e enquanto houver alguém que o troque por alimentos.