Dentro de uma visão mais simplista – que a agronomia já está abandonando devido à pressão por uma abordagem mais ecológica, as chamadas “ervas daninhas” ou “ plantas invasoras” são apenas agentes nocivos que infestam as culturas e precisam ser urgentemente erradicadas.

O fato é que estas plantas expressam um verdadeiro diagnóstico das condições do solo. As grandes monoculturas da agroquímica produzem tal”pasteurização” ecológica que a vida vegetal que medra nestas megalavouras também sofre as consequências desse desequilíbrio. São verdadeiras monoculturas de plantas “daninhas”.

 Segundo o critério botânico e ecológico das sucessões vegetais, as espécies vão se sucedendo na mesma área conforme a decadência ou o melhoramento do solo. O fim das monoculturas, a redução do uso de insumos sintéticos, o incremento de matéria orgânica e consequentemente da microvida e a observância de certos critérios de manejo adequado ao trópico (cobertura morta, pouca ou nenhuma aração, etc.) podem reverter o processo de degradação e restabelecer o equilíbrio entre as espécies e aí estabelecer um manejo das chamadas “ervas invasoras”.

As ervas, que não são necessariamente daninhas, podem vir a ser manejadas para diversos fins,tais como alimentação de animais, cobertura morta, algumas são comestíveis ou medicinais, etc. O fato é que elas indicam a história e as condições daquele pedaço de terra onde crescem.

São capazes de indicar excesso, deficiência ou desequilíbrio de nutrientes, dar uma “pista” do pH, da estrutura do solo, do que foi plantado anteriormente, etc.

 

- Amendoim-bravo (Euphorbia heterophylla): Invade plantações de soja e indica onde ocorre desequilíbrio de nitrogênio e micronutrientes, principalmente o cobre e o molibdênio.

- Assa-peixe (Vernonia polyantes): Planta melífera de grande importância, ocorre normalmente em pastos sujos ( é uma variedade das chamadas “mata-pasto”) e indica solos de cerrado secos e com lajes no subsolo de pouca permeabilidade.

babacu

- Babaçu (Orbignya martiana): palmeira indicadora da transição da mata para o cerrado.

bacuri

- Bacuri (Platonia insignis): Planta típica do cerrado, indicando solo de boa qualidade, tanto física como quimicamente.

beldroega

- Beldroega (Portulaca oleracea): Ocorre em todo país, sendo consumida no Nordeste pelo gado, na seca. Indica solos fofos e com bom teor de M.O. e umidade. É comestível, de alto poder nutritivo e não prejudica as lavouras.

senecio brasiliensis maria mole

- Berneira ou Maria-mole ( Senecio brasiliensis): Indicadora de solos de pastagem com camada compactada entre 40 e 120 cm de profundidade. Venenosa para o gado. Regride mediante introdução de espécies subsoladoras (como o guandu) e adubação potássica ( como a cinza de madeira ou palha de café).

buriti

- Buriti ( Mauritia vinifera): Planta típica dos solos úmidos do cerrado e do lavrado do Nordeste, indicando sempre a presença de água.

Cenchrus echinatus carrapicho

- Capim-carrapicho ou capim-amoroso ( Cenchrus equinatus): Indica solos erodidos, decaídos e compactados, e também a degradação de pastagem que sofreu pisoteio intenso. Perde sua força tão logo o solo se recupere, embora deixe grande quantidade de sementes no terreno.

barba de bode

- Capim-barba-de-bode ( Aristida pellens): Invasora típica de terrenos onde as queimadas são constantes. Indica pobreza de cálcio, fósforo e potássio. desaparece mediante aplicação de fósforo ( como o fosfato de Araxá ou o Termofosfato) e suspensão das queimadas. Também é útil a incorporação de M.O. (especialmente na forma de composto).

capim amargoso

- Capim-amargoso ou capim-aço (Digitaria insularis): Aparece nas lavouras de soja e indica solos de baixa fertilidade. Ocorre em lavouras abandonadas e em pastagens, onde a água fica estagnada após as chuvas.

capim arroz

- Capim-arroz ou capim-capivara ( Echinochaloa crusgalli): Invasora frequente em plantações de arroz irrigado, indicando logo abaixo da superfície um “horizonte de redução” (solo rico em elementos tóxicos, normalmente alumínio). Por meio de drenagem e aplicação de adubos à base de cálcio e fósforo (como o Termofosfato), juntamente com a palha do arroz infestado, o capim não mais germina.

carex sp Cabelo de porco

- Capim-de-porco (Carex spp): Indica solos paupérrimos em cálcio, ocorrendo em solos muito compactados e sem aeração. Invasora típica de solos queimados. Regride com calagem e plantio de espécie subsoladora (como o guandu).

caoim caninha

- Capim-caninha ou capim-colorado (andropogon incanis): Ocorre no rio Grande do Sul em solos temporariamnete encharcados e periodicamente queimados. Indica deficiência aguda de fósforo.

capim favorito rhynchelytrum repens

- Capim-favorito, capim-gafanhoto ou capim-natal (Rhynchelytrumroseum): Ocorre em solos degradados nos quais os adubos químicos quase já não fazem mais efeito. Regride ao se enriquecer o solo com matéria orgânica, cálcio e fósforo.

capim marmelada Brachiaria plantaginea

- Capim-marmelada ou capim-papuó ( Brachiaria plantaginea): Surge em solos cultivados, indicando a decadência da fertilidade. Regride com aplicação de cálcio,fósforo e matéria orgânica.

capim rabo de burro

- Capim rabo-de-burro (andropogon bicornis): Ocorre em solos gastos e abandonados. Indica solo muito ácido, com baixo teor de cálcio e uma camada impermeável entre 60 e 120 cm de profundidade. O rompimento da camada dura por meio do plantio de uma subsoladora e a calagem ajudam a erradicar esta invasora.

capim rabo de raposa Setaria geniculata

- Capim rabo-de-raposa (Setaria geniculata): Ocorre mais frequentemente em beira de campos e estradas onde a compactação é maior, indicando solo muito pobre.

caraguata

- Caraguatá ou gravatá (Erygium ciliatum): Planta típica de pasto com húmus ácido (turfa). Regride com a calagem e o pastoreio rotativo.

carqueja

- Carqueja (Baccharis spp.):Indica solo pobre em molibdênio e ocorre mais frequentemente em terrenos que retêm água estagnada. Espécie de grandes qualidades medicinais.

cavalinha equisetum sp

- Cavalinha (Equisentum spp.): Indica solo com teor de acidez de médio a elevado.

cravo branco

- Cravo-branco ou erva-fedorenta (Tagetes erecta e Tagetes minuta): Ocorre abundantemente em solos infestados por nematoides, ajudando a erradicá-los. Nas pastagens seu aparecimento é provocado pelas queimadas.

taraxacum officinale dente de leao

- Dente-de-leão (Taraxum officinalis): Ocorre em pastagens do Sul, indicando a presença de boro. É comestível e medicinal.

picao branco Galinsoga parviflora

- Fazendeiro ou Picão-Branco (Galinsoga parviflora): Indica solos com excesso de nitrogênio e deficiência de cobre.

grama batatais Paspalum notatum

- Grama-batatais, forquilha ou mato-grosso (Paspalum notatum): Cresce melhor em terreno argiloso, sendo temida em pastos decadentes. Melhoradas as condições do solo, cede lugar a forrageiras de melhor qualidade.

grama seda Cynodon dactylon

- Grama-seda, grama-de-burro, grama-paulista ou bermuda Grass (Cynodon dactylon): Indica solos muitos pisados e compactados, podendo crescer em terreno com pH de 4,5 a 8,5. Ocorre tanto em pastagens quanto em lavouras. Regride com a melhoria das condições físicas do solo.

sida sp Guanxuma

- Guanxuma, malva ou vassorinha (Sida spp.): Ocorre em consequência da excessiva mecanização ou do pisoteio do gado. É frquente após as lavouras de batatinha e algodão. Invade terrenos com subsolo muito denso ou em áreas onde a erosão lavou o solo superficial.

calopogonio

- Leguminosas em geral: Indicam presença de fósforo que elas solubilizam deixando disponível para outras culturas.Sua expansão indica solo em boas condições. A falta de potássio as enfraquece, e a falta de cálcio torna-as presa fácil de cochonilhas.

mentrasto

- Mentrasto (Agerathum conyzoides): Considerada saneadora de solos, degradados, indica melhoramento físico do solo. Ocorre, em geral, junto com o picão-preto e o rubi (Leonorus indicus). Não prejudica as culturas.

baccharis coridifolia Mio Mio

- Mio-mio (Bacharis coridifolia): Temida no rio Grande do Sul, ocorre em solos rasos e firmes, indicando deficiência de molibdênio. Planta tóxica para o gado. aumenta sua infestação após roçada, mas desaparece com o fogo.